19 maio 2015

[*] Prefiro silêncio

A semana às vezes começa uma merda e lendo um livro particularmente tenso, acrescenta. Os outros dias só corroboram para piorar o emocional.  Na verdade não são os dias, sou eu e as outras pessoas. É uma merda porque nesses dias os erros ou defeitos estão ou ficaram em projeção.

Então eu me enxergo, e é constrangedor.

Quando uma situação pega de surpresa – oi vida? – e eu realmente enfrento porque é da minha natureza não ser covarde, mas o resultado não foi positivo, então a fraqueza é a única sombra que vejo à frente, sobre tudo. A culpa por ser como sou fica martelando na cabeça e me faz odiar a mim e ao mundo.

O que mais detesto nas pessoas é que para tudo elas dizem: esqueça.

Compreensível não quererem escutar lamentações, pois cada um carrega seu próprio fardo. Só que, quem sofre o que mais precisa é falar. Sorte daqueles que escrevem e não precisam falar e escutar a verdade de como se sentem, dando mais ênfase.

Isso varia para cada pessoa. Para mim funciona assim:
Quando falo de algo ruim que aconteceu, pode ser que eu ainda não esteja me sentindo capaz, no entanto, falo da maneira mais descontraída e rindo de mim mesma, mesmo que a verdade esteja longe de ser essa.

E a verdade é torturante, é desgastante, a verdade é a solidão, é ver o profundo do seu coração, todavia, acima de tudo, e o único lado bom é que se torna revelador.

O mais importante, é que apesar de cair sobre meus próprios pés, e entregar-me ao mais puro desalento, não quero esquecer.

Já sei de cor todas as frases e pensamentos de motivação, quaisquer que sejam, eu sei de todas elas, eu leio livros, eu tenho amigos, eu vejo a vida passar pelas pessoas, pelos jornais, por tudo que me cerca; a única coisa que preciso é escrever e aceitar o que passou, é simples, mas complexo. Sou ser humano.

Mas eu preciso escrever.
Não necessariamente eu tenho que ouvir algo consolador e ser condescendente. Acho que esse é mais um passo para a minha maturidade emocional. Porém só escrever me dá paz. Eu me vejo. É meu exercício. E me sinto melhor. Eu entendo, aceito e peço a chance de fazer diferente. Não só para outras pessoas, mas para ver que um momento não me define.

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